quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Brasil fala o certo, mas a maioria não ouve
Coube ao Brasil, como desde 1947 com Oswaldo Aranha, abrir a 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, há um anacronismo na ONU, estribado nas cinco potências vencedoras da II Guerra Mundial, Estados Unidos (EUA), China, França, Reino Unido e Rússia e que emperra a oxigenação da Organização.
Mesmo que o viés ideológico esteja enfraquecido, passando pela Rússia e chegando à China, onde empresas estrangeiras são bem-vindas para fazerem joint ventures, algo impensável há poucos anos. Mas são estes cinco integrantes que têm o poder de vetar qualquer resolução no Conselho de Segurança da ONU.
Mas o Brasil esteve bem, embora o assunto que interessasse aos poderosos fosse a ameaça, novamente, de conflito no Oriente Médio. Falar em emissão de moeda e restrições comerciais aplicadas pelos EUA e outros países não interessava aos “grandes”.
Porém, o recado foi dado pela nossa presidente, aplaudida quando pediu o fim da aversão aos muçulmanos que se espalha pelo mundo, por um Estado da Palestina junto a um Estado de Israel seguro e sem ameaças, e por mais igualdade no mundo, com o combate à pobreza.
O presidente da única superpotência mundial, os EUA, Barack Obama, mirou apenas nos atritos internacionais. No entanto, uma frase foi bem colocado e simboliza o anseio global. Obama apelou para que “as nações decidam entre as forças que nos separam ou as esperanças que têm em comum”.
Foi, provavelmente, o último discurso internacional do presidente antes da eleição nos EUA que acontece em 6 de novembro. Nos corredores do edifício-sede da ONU, soube-se que os investidores estrangeiros estão um pouco pessimistas em relação ao Brasil em meio às recentes medidas anunciadas pelo governo que, embora beneficiem a economia local, prejudicam as empresas.
É que as mudanças nos preços do setor de energia, as possíveis alterações nos pedágios, que impactam as concessionárias de rodovias, as punições para empresas de telefonia, além da pressão sobre os bancos para ofertarem mais crédito a um juro menor são fatores que estariam pesando.
Para muitos, com este “cenário nebuloso”, ninguém vai fazer uma grande aposta no Brasil agora.
Quando o País voltar a crescer e os efeitos das medidas permanecerem, o cenário deve se normalizar, segundo os melhores analistas econômico-financeiros.
Porém temos um ponto positivo que é o esforço do governo em contribuir para a competitividade e produtividade da economia local, com uma agenda mais voltada para as empresas, ainda que o protecionismo nacional, rebatido na ONU pela presidente Dilma Rousseff, seja considerado ruim.
Quanto ao setor bancário, onde a cada dia são anunciados cortes de juros e financiamentos mais acessíveis, a agenda do governo com este segmento é melhor do que parece.
Em 2012, a oferta de crédito via bancos públicos, sem o Bndes, está crescendo no patamar de 30%, enquanto, via instituições privadas, a expansão está em torno de 10%. Os bancos públicos estão sendo usados como engrenagem de política econômica.
Com a economia crescendo em um ritmo mais forte, os bancos públicos poderão tirar o pé do acelerador. Enfim, 2013 promete.
Fonte: Jornal do Comércio - RS - Editorial
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