segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Escapando por cima

Que Santos continua sendo um porto importante, não há dúvida. Que continua crescendo em sua movimentação de cargas, quem tiver dúvida é só percorrer o sistema viário Anchieta-Imigrantes e tentar entrar na Cidade: terá diversas horas para meditar sobre os motivos pelos quais o governo de São Paulo parece querer matar sua galinha dos ovos de ouro, ao protelar indefinidamente obras de infraestrutura que já deveriam ter sido concluídas – e nem sequer estão devidamente projetadas. Sim, porque projetos há, mas sempre há espaço para se contratar mais uma empresa que possa desenvolver alguma alternativa... de estudar alguma interferência que surgiu... em suma, de faturar, já que os projetos têm todos o mesmo destino, não saem da memória do computador. Enquanto o governo paulista dorme sobre o assunto, o federal, exasperado com a lerdeza, trata de apresentar alternativas para o congestionado porto santista. Tão congestionado, aliás, que embora continue registrando recordes, está perdendo espaço de participação no mercado, o tal market-share. No conjunto dos portos nacionais, a fatia santista, que já foi superior a um terço do total, vem diminuindo seguidamente nos anos recentes, devido às dificuldades de acesso terrestre ao cais. Dificuldades que significam custos. Custo que significa perda de competitividade no mercado externo, ou seja, menos vendas e menos ganhos para os produtores e embarcadores. Daí a decisão recente do Governo Federal de construir uma hidrovia que leve a produção de Mato Grosso ao Porto de Santarém, no Pará. Tal obra permitirá reduzir em R$ 2 bilhões o custo de frete de grãos, em relação ao uso do Porto de Santos. Bem, o Governo Federal também é rápido como um elefante, quando se trata de obras de infraestrutura. A Fifa que o diga... Mas, como não falta dinheiro, e o empresariado já está cansado de acumular perdas no trajeto da porta (da fazenda ou da fábrica) ao Porto, quem sabe desta vez sai. O Porto de Santos que se cuide, não é a primeira tentativa de escapar do congestionado Sudeste criando caminhos novos lá por cima. O imperador maranhense dom Sarney Norte-Sul bem sabe do que estou falando. * Carlos Pimentel Mendes é jornalista e edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br) Fonte: portogente.com.br Por: Carlos Pimentel Mendes *

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