segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desindustrialização é um fato, não uma versão

Diz-se, em jornalismo, que, às vezes, o que mais interessa é a versão de uma notícia, não o fato propriamente dito. Claro, a versão tem toques de imaginação, “historinhas”. Aí entram relações promíscuas, pitadas passionais e tudo o que instiga o imaginário popular. No Brasil, estamos noticiando que há uma desindustrialização. A indústria gaúcha não escapou desse problema. No entanto, no Estado espera-se que, no segundo semestre, tudo melhore. Será consequência das medidas adotadas pelos governos federal e estadual. As ações tomadas pelo governo federal dia 11 de outubro, para estimular a indústria e o nível de atividade do País, embora positivas, não atacam o problema principal da economia, que é o câmbio ainda valorizado, na opinião do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira. Para ele, o câmbio de equilíbrio seria R$ 2,40, acima do atual patamar, na casa de R$ 2,10. “Para elevar a cotação do real ante o dólar a R$ 2,40, seria fundamental a taxação sobre capitais que ingressam no País, inclusive os Investimentos Estrangeiros Diretos”, disse. O câmbio a R$ 2,40 e o aumento da cotação dos preços das commodities com o imposto sobre exportações dessas mercadorias vão ajudar a melhorar as contas externas, trazendo as contas-correntes de déficit para superávit. A taxação sobre todos os capitais que ingressam no País diminuirá as operações de arbitragem com juros, feitas também de forma disfarçada por empresas internacionais por meio de empréstimos intercompanhias. O FMI, por falar nisso, alertou que o Brasil não está imune à crise global, o que todos que raciocinam sabem desde o ano passado. Porém, o governo lançou o novo acordo automotivo, fará novas concessões através das Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que o Piratini também anunciou, e isso trará estímulo à economia. Passou o tempo de encarar obras inadiáveis como embate entre capitalismo x socialismo. A queda da taxa de câmbio para 7,25% é outro reforço à economia e uma boa poupança, em 12 meses, para a dívida pública federal atrelada à Selic. A mudança do patamar do câmbio também pode contar com a colaboração de compras de dólares pelo Banco Central, o que vai aumentar as reservas internacionais. Entretanto, não podemos esquecer da inflação. É que tais ações acabam gerando um efeito colateral ruim para o Tesouro, em razão da emissão de títulos do governo para evitar que a troca de dólares por reais provoque inflação. O câmbio a R$ 2,40 ampliaria a participação das empresas exportadoras na economia, elevando a Formação Bruta de Capital Fixo. Assim, as empresas brasileiras seriam mais competitivas e ampliariam seus investimentos. O País migraria dos atuais 1,5% de crescimento do PIB para um nível sustentável de 4% a 5% em cerca de três anos, na opinião de analistas. No entanto, uma contrapartida de curto prazo do novo patamar do câmbio será a alta da inflação e a redução dos salários reais dos trabalhadores. Aí não seria uma versão, mas um fato. Bastante desagradável. Ao fim de tudo, chega-se à conclusão que diminuir os gastos públicos para baixar os juros e encolher a dívida federal equilibraria quase tudo. Fonte: Jornal do Comércio

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