quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Falta de antenas pode comprometer compartilhamento

Plano de metas de competição que será votado pela Anatel não prevê quanto cada operadora terá de ceder em sua infraestrutura. Embora o governo coloque o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) como um dos principais instrumentos para resolver os problemas de qualidade de sinal dos serviços de internet e celular no País, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não sabe ainda quantas antenas e torres poderão ser compartilhadas. Além disso, parte das regras que serão votadas pelo órgão amanhã só entrará em vigor daqui a nove anos. O regulamento visa a obrigar o compartilhamento das chamadas infraestruturas passivas de telecomunicações pelas maiores companhias do setor. Isso quer dizer que as empresas com poder significativo de mercado deverão fazer chamadas públicas para a venda de capacidade e passagem por dutos, postes, antenas e torres. Em tese, isso permitirá a competição com outros provedores a preços mais equilibrados, além de promover o uso mais racional das estruturas. Mas uma fonte ligada à Anatel admitiu ao Estado que o órgão regulador "não tem ideia" de quantos desses equipamentos estarão disponíveis para serem cedidos em parte à concorrência. O problema é que muitas dessas antenas já estão com suas capacidades saturadas. "São estruturas essenciais para a prestação do serviço que devem ser compartilhadas, mas temos uma série de dificuldades no Brasil, até mesmo porque a maioria dos postes não está nas mãos das operadoras, mas sim do setor elétrico", disse a fonte. Além disso, a proposta de regulamento prevê que obrigatoriedade do compartilhamento das fibras ópticas - por onde devem passar praticamente 100% do tráfego de dados nos próximos anos - pelas companhias só entrará em vigor na próxima década. Embora possa ser revisado a cada quatro anos, o PGMC dará logo de cara nove anos de imunidade regulatória para esse tipo de redes. "Esse tipo de rede é fundamental para o desenvolvimento das comunicações no País e precisa estar livre de medidas restritivas", completou a fonte. Embora tenha sido sugerida pela área técnica da própria Anatel com base em instrumentos semelhantes adotados em outros países, o prazo de nove anos atenderá os pedidos das maiores empresas do setor, que andavam preocupadas com o rigor do regulamento no momento em que começam a desembolsar quantias volumosas na construção das redes de quarta geração (4G). Investimento. A concessão de exclusividade do uso por um período tem por objetivo incentivar os aportes na expansão das redes. "Nossa esperança é de que haja mais investimento", disse ontem o presidente da Anatel, João Rezende, em evento da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp). A expectativa dele é de que as redes de fibra óptica possam dobrar ou triplicar de tamanho nos próximos anos. O PGMC deverá trazer também novidades sobre as tarifas de interconexão móvel (VU-M), que são as taxas pagas entre as empresas pelo uso das redes de terceiros. "Estamos avaliando alguns cenário de redução. Queremos dar uma maior clareza sobre isso, para que a redução da tarifa de interconexão chegue ao custo", disse Rodrigo Loureiro, conselheiro da Anatel, também no evento da Telcomp. / COLABOROU RODRIGO PETRY Fonte: O Estado de S. Paulo Por EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA

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