segunda-feira, 15 de outubro de 2012

IRLANDA QUER ESTIMULAR CONTATO COM EMPRESAS BRASILEIRAS

A Irlanda não está entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a corrente de comércio entre esses dois países totalizou US$ 948 milhões em 2011. Apesar disso, empresários irlandeses estão interessados em formar parcerias com companhias brasileiras. Uma prova disso é a missão oficial que visitou o País na última semana e contou com a presença de 39 empresas do país estrangeiro de diversos setores, acompanhadas pelo presidente do país, Michael D. Higgins, e pelo ministro de Comércio e Desenvolvimento, Joe Costello. Segundo o ministro, em entrevista exclusiva para o DCI, a Irlanda é um importante ponto de concentração de subsidiárias de multinacionais de tecnologia, como o Facebook, a Dell, a Apple. "Nós temos mais de mil empresas globais com seus escritórios localizados na Irlanda, que são empresas especializadas e que têm interesse de se relacionar com empresas aqui no Brasil". Costello também avaliou que "a Irlanda é a casa ideal para as companhias brasileiras colocarem seus futuros projetos de investimento". Segundo Emanuel Carvalho, chefe do Escritório Comercial da Embaixada da Irlanda e gerente da América Latina para a agência de promoção comercial do país, a Enterprise Ireland, o comércio brasileiro com a Irlanda é deficitário pois o país europeu é pequeno e por isso tem uma demanda reduzida. Carvalho acredita portanto que as relações entre os dois países se darão mais por meio de parcerias empresariais. "O equilíbrio vai se dar mais pela parceria de empresas do que pelo comércio realmente, pois a Irlanda sendo um país tão pequeno é muito difícil o Brasil exportar mais para nosso país, a demanda não existe na Irlanda, mas a Irlanda como porta de entrada para o mercado europeu, aí sim os brasileiros têm que olhar para esse benefício e aproveitar. Quatro milhões de irlandeses são quatro bairros aqui em São Paulo". O representante também chama a atenção para o fato de as empresas do país europeu serem muito desenvolvidas em termos de tecnologia e inovação. "Como nossa oferta é baseada em inovação é muito difícil uma empresa irlandesa oferecer um produto ou um serviço que já existe, que já está disponível, 95% das nossas empresas vêm ao Brasil oferecer alguma coisa que não está disponível ainda, por isso temos esse sucesso", disse. O setor bancário brasileiro é conhecido em todo o mundo por sua automação e eficiência. Segundo o ministro Costello, a área bancária irlandesa também pode ser promissora para as empresas brasileiras entrarem no mercado do país europeu. A Irlanda possui um serviço financeiro forte, nós certamente queremos entrar nesse nível, na área de serviços financeiros há enormes oportunidades para trabalharmos juntos, pois somos muito fortes nessa área, temos muita expertise". Na opinião de ambas as autoridades, o Brasil por fazer parte do Mercosul pode servir de porta de entrada para o país na América Latina. Já a Irlanda, como parte da União Europeia também pode ajudar o Brasil a entrar em outros países do bloco. "Esperamos que nosso trabalho na embaixada e na Enterprise possam motivar as empresas brasileiras cada vez mais a entrarem na Irlanda não somente com investimento estrangeiro mas como porta de entrada na Europa. A Irlanda consegue ser um foco central que dá acesso a mais de mil empresas multinacionais e uma cultura de negócios que está muito bem encaixada com a cultura brasileira e é essa relação pessoal que para nós vai fazer a diferença." Durante a visita, a missão irlandesa fechou um contrato de 1.500 vagas para estudantes brasileiros no país nos próximos quatro anos através do programa brasileiro Ciência sem Fronteiras. Crise A Irlanda foi um dos primeiros países da Europa a dar sinais da crise econômica. Segundo o ministro de Comércio e Desenvolvimento, "a situação tem melhorado, há dois anos nós nos juntamos ao programa chamado de Troica [grupo formado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE)], temos 70% do programa implementado, nós temos um crescimento ativo neste ano, de 2,2%, quando a maioria das economias da Europa está estagnada, nós temos indo bem nisso", disse. Para Carvalho, a crise pode até ter sido positiva para o país: "as empresas irlandesas abriram os olhos para o mundo todo, e vimos que parceria é a nossa salvação". Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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