quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Salão do Automóvel de olho no cenário de 2017

O 27º Salão do Automóvel, que será aberto hoje à tarde pela presidente Dilma Rousseff, tem tudo para despertar a curiosidade no país inteiro. E a prova disso nem estará nas filas que certamente se formarão na entrada do pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo. A grande curiosidade diz respeito ao futuro das montadoras. Assim como aconteceu nas edições do salão no início dos anos 1990, elas vivem um momento de mudança de cenário, que, por si só, chama mais atenção do que os carros expostos nos estandes. Como se sabe, o governo acaba de estabelecer um regime automotivo que dá aos fabricantes prazo até 2017 para reunir condições de competir em pé de igualdade com as indústrias mais produtivas do mundo. Até lá, elas terão a proteção de barreiras que dificultarão a importação de automóveis de marcas que não montem carros no país. Isso acontece num momento decisivo para o mercado mundial. Todas as montadoras instaladas no planeta têm, juntas, uma capacidade anual de produção de aproximadamente 50 milhões de unidades. A produção para este ano está estimada em mais ou menos 35 milhões. Em outras palavras, o mundo é capaz de produzir, em números grosseiros, cerca de 15 milhões de automóveis além do que fabrica. Dessa montanha de carros, o Brasil faz mais ou menos 3,6 milhões de unidades (ou seja, mais ou menos 10% do total). Num cenário como esses, o Brasil tem todo o direito de criar barreiras para proteger o 1,5 milhão de empregos diretos criados pela cadeia automobilística. Sob condições específicas, as medidas de proteção previstas no acordo são mais saudáveis do que a eterna mania nacional de conceder reduções temporárias de tributos toda vez que as vendas de carros nacionais derrapam. Tem sido assim desde 2009: sempre que se nota acúmulo de automóveis nos pátios das montadoras, o Ministério da Fazenda surge com a solução salvadora dos impostos mais baixos. Isso, claro, estimula o mercado. O problema é que isso tira das empresas a capacidade de planejamento de médio prazo: as montadoras trabalham num cenário que pode sofrer mudanças a qualquer momento - o que não é bom para ninguém. O mérito do regime automotivo proposto pelo governo é o de incluir o avanço tecnológico como condição das vantagens que as montadoras poderão obter no futuro. Mais do que isso, é o de colocar o baixo consumo e a redução de emissão de poluentes entre os requisitos de motorização para a frota no futuro. A ideia por trás disso é utilizar o mercado nacional como plataforma de desenvolvimento (e, claro, de produção) de uma mercadoria que terá valor no panorama mundial. Se der certo, será perfeito. Se não der, o Brasil pode retroagir ao ambiente de 1990 - quando todo o mercado fechado só servia para proteger as montadoras mais ineficientes do mundo. Fonte: Brasil Economico Por Ricardo Galuppo

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