segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Após mortes no final de semana, ferroviários acusam governo de SP de não investir em infraestrutura e não apurar acidentes
O acidente com o bonde turístico da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), ocorrido no último sábado (03), causou quatro mortes - registradas até a manhã desta segunda (05) -, deixou dezenas de feridos e fez com que representantes dos ferroviários voltassem a criticar a infraestrutura do transporte sobre trilhos no estado de São Paulo. O consultor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Transporte de Passageiros da Zona Sorocabana (Sinferp), Rogério Centofanti, alega que as imagens do acidente mostram um cenário recorrente nas tragédias recentes: "trem novo circulando sobre trilhos e dormentes nada novos".
No momento da ocorrência, o bonde retornava da estação de Santo Antônio do Pinhal com chuva e muita neblina. A composição saiu da linha férrea após uma descida em linha reta, acertou um barranco e só parou mais de 30 metros depois, em meio à vegetação do local.
Centofanti critica a prática do governo paulista de comprar novas composições "sem a devida contrapartida em investimentos na via permanente, rede aérea, subestações, sistemas de sinalização, de comunicação, em resumo, na infraestrutura". Embora ainda seja cedo para apurar as causas, o representante dos ferroviários cobra uma investigação séria e com resultados por parte dos órgãos responsáveis.
O governo do estado já anunciou que abrirá uma sindicância para investigar o acidente. No entanto, Centofanti observa que esse mesmo tipo de medida foi divulgada após sete acidentes fatais nas linhas ferroviárias em menos de doze meses, sem resultados práticos. "Essa conversa de sindicância é balela. Prazo mínimo de 30 dias? Apenas reafirma a balela. Medida para abafar o acidente e esperar até que caia no esquecimento".
Em entrevista ao G1 na qual preferiu não se identificar temendo represálias, um funcionário da EFCJ disse que este foi o sexto acidente com o bonde turístico somente em 2012, sendo que último deles teria acontecido há apenas três semanas.
Em 2 de novembro de 2011, o governador Geraldo Alckmin anunciou o investimento de R$ 4,1 milhões na EFCJ, por meio da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, para "compra de máquinas e equipamentos necessários à manutenção das vias". Segundo o consultor da Sinferp, os erros das autoridades residem no "conjunto do sistema". Ele cita casos em que trens novos comprados para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com sensores de descarrilamento, são levados para oficinas da empresa para desativação de sensores. A razão, de acordo com Centofanti: "poderiam falsamente acusar um descarrilamento e parar a composição. Motivo? Irregularidades na via poderiam fazer com que os sensores fossem ativados".
Fonte: portogente.com.br
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