No Salão de Frankfurt, executivos veem vendas se estabilizarem. Em julho, aumentaram os emplacamentos na União Europeia.
Executivos de montadoras que participam do Salão de Frankfurt, o maior do ano, dizem que o pior da crise na Europa começou a passar.
Karl-Thomas Neumann, contratado este ano para presidir a GM europeia, soou cautelosamente otimista. "Nós vimos a primeira pequena luz no fim do túnel", disse. "Ninguém aqui está esperando que maravilhas aconteçam, mas estou relativamente confiante de que já atingimos o fundo (do poço)."
Opel Monza CEO Karl-Thomas Neumann (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)
Karl-Thomas Neumann, chefão da Opel, no conceito Monza: 'Já atingimos o fundo do poço' (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)
A francesa Peugeot e a italiana Fiat, companhias com mais problemas, reduziram os gastos de desenvolvimento de produto a tal ponto que têm poucas novidades para mostrar no evento. Mas designs de ponta também são poucos e esparsos nos estandes, até mesmo entre líderes de mercado, como a Volkswagen.
Como um barômetro da economia da Europa, a atmosfera do salão melhorou em 2 anos --de desesperada para deprimida--, enquanto as atitudes dos principais executivos da indústria automotiva da Europa refletem muito da ambivalência do mercado.
"Talvez um pouco de otimismo se justifique", disse Trevor Mann, vice-presidente executivo da Nissan. "Mas acho que a recuperação será lenta em geral e não devemos ter excesso de entusiasmo."
A verdadeira resposta é que ninguém tem qualquer visibilidade para além do trimestre. A tendência é de estabilização"
Alfredo Altavilla, presidente-executivo da Fiat para Europa, Oriente Médio e África
Alfredo Altavilla, presidente-executivo da Fiat para Europa, Oriente Médio e África, acrescentou: "A verdadeira resposta é que ninguém tem qualquer visibilidade para além do trimestre. A tendência é de estabilização, (mas) é muito cedo para dizer que ela está pegando."
Sem a presença do chefão Sergio Marchionne, a Fiat apresentou uma versão do veículo multi-propósito Fiat 500L para sete lugares. Mesmo a Ferrari mostrou apenas uma versão ligeiramente mais potente da 458 para servir de âncora ao estande do grupo italiano no salão.
"Tenho a sensação que tanto para nosso grupo como para o setor automobilístico já superamos o pior na Europa", disse Philippe Varin, presidente do construtor francês PSA Peugeot Citroen. "O mercado europeu deveria [...] chegar ao final do túnel no ano que vem", concordou o brasileiro Carlos Ghosn, que dirige a da Renault-Nissan.
Martin Winterkorn, presidente da Volkswagen, a maior montadora da Europa, falou de uma situação 'que se estabiliza', mas considerou que ainda é 'tensa' em muitos países.
Estabilização de vendas é boa notícia
Em julho, as vendas de carros novos na União Europeia aumentaram e os analistas mais otimistas esperam a recuperação para o segundo semestre deste ano. Segundo Stefan Bratzel, um especialista alemão do setor, a estabilização "é um sinal positivo [...] mas o mercado já não podia cair muito mais".
Os dirigentes dos grandes grupos são mais prudentes. "A crise ainda pode durar entre 3 e 5 anos", alertou o diretor executivo da BMW, Norbert Reithofer, que prevê recuperação para o segundo semestre de 2014.
Depois de 5 anos de quedas, o setor voltará a crescer com um aumento das vendas de entre 0 e 1%"
Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan
Segundo Ghosn, da Renault-Nissan, a recuperação será lenta e "depois de 5 anos de quedas, o setor voltará a crescer com um aumento das vendas de entre 0 e 1%". Varin, da PSA, projeta um crescimento "levemente positivo" em 2014.
O caminho para voltar ao nível de 2007, quando foram vendidos 16 milhões de carros novos na Europa, "será longo", disse o presidente da Daimler, Dieter Zetsche, e "esses níveis serão muito difíceis de recuperar". A Daimler é dona da Mercedes-Benz.
A Jaguar Land Rover, hoje propriedade do grupo indiano Tata Motors, anunciou um investimento de 1,5 bilhão de libras e a criação de 1.700 postos de empregos diretos no Reino Unido, o único dos grandes países europeus que resiste à queda das vendas.
Conceito Renault Initiale Paris (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)
Brasileiro Carlos Ghosn (em primeiro plano) apresenta o conceito Renault Initiale Paris Tyler Hilton
REUTERS

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