A tributação brasileira é o principal foco de dúvidas das empresas chinesas quando se interessam em fazer negócios no país, disse nesta quarta-feira, Wang Chunlei, vice-gerente geral do Centro de Investimento, Desenvolvimento e Comércio Brasil-China, entidade ligada ao Parlamento chinês. Segundo ele, cerca de 70% das consultas feitas pelos chineses ao centro relacionam-se a dúvidas sobre a tributação local. Pela Receita Federal, houve redução de tributos para exportação de chips, mas para equipamentos de LED, houve aumento recentemente. Por meio de políticas pontuais e gerais, o governo brasileiro promove o que interessa ao país. Achamos que, em todos os setores há oportunidades, mas há vários pontos que não estão claros para nós. Precisamos analisar quais são os projetos de fato benéficos para as empresas chinesas — disse Wang, que esteve presente nesta quarta-feira no seminário Brasil – China, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo ele, outros pontos que mais suscitam muitas dúvidas entre o empresariado chinês são as leis trabalhistas brasileiras e demais normas e leis em geral, como as exigências de índice de conteúdo nacional nos empreendimentos brasileiros. Em questões ambientais, outro exemplo de atenção, ele também destaca que o Brasil tem regras mais rígidas do que a China. A lei laboral para nós é muito diferente. A maioria dos empresários chineses estranha muito, por isso a busca de parceiros locais são importantes. O escritório de 2 mil metros quadrados do Centro de Investimento, Desenvolvimento e Comércio Brasil – China, situado na Avenida Paulista, em São Paulo já recebeu 20 mil consultas de chineses interessados em fazer negócios no Brasil nos últimos anos. Por que os chineses vem para cá? Primeiro ponto, o ambiente regulatório do Brasil é seguro e bastante confiável. Fazemos competição justa e igualitária com empresas locais. Segundo ponto, as empresas chinesas ficam mais próximas de um mercado que interessa e, ao mesmo tempo, os brasileiros têm mais confiança em relação ao produto chinês pela presença local. Segundo Alexandre Petry, gerente executivo interino de investimentos da Apex Brasil, a entidade de promoção comercial e de investimentos já possui um escritório em Pequim e está avaliando traduzir à língua local o Investment Guide Brasil 2014, hoje disponível apenas em inglês.
O Globo
15/07/2014
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