A balança comercial
(diferença entre exportações e importações) encerrará 2014 com o primeiro
déficit anual desde 2000, estimou hoje (1º) o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior. Segundo o diretor do Departamento de Estatística
e Apoio à Exportação da pasta, Roberto Dantas, o desempenho de novembro, que
registrou o pior déficit da história para o mês, enterrou as chances de a
balança fechar o ano com as exportações superando as importações.
Segundo Dantas, o
ministério ainda não tem uma estimativa para o tamanho do déficit. Apenas
confirmou que a balança chegará ao fim do ano no vermelho."Novembro foi um
divisor de águas na balança comercial para 2014. Embora o número de dezembro
seja tradicionalmente superavitário, não há como reverter o déficit acumulado no
ano", explicou. A última vez em que a balança comercial encerrou um ano com
déficit foi em 2000, quando o resultado negativo totalizou US$ 732 milhões.
De janeiro a
novembro, a balança comercial acumula déficit de US$ 2,350 bilhões, o maior para
o período desde 1998. Considerando a queda no preço das commodities (bens
primários com cotação no mercado internacional) nos últimos meses, Dantas
acredita que a balança comercial em dezembro dificilmente repetirá o desempenho
dos últimos anos, quando registrou superávit de US$ 2,2 bilhões no último mês de
2012 e US$ 2,6 bilhões no mesmo mês de 2013.
A queda das
exportações de carne em novembro também contribuiu para a revisão da estimativa
em relação à balança comercial. "Um dos fatores que poderiam trabalhar em favor
da manutenção da previsão de superávit seria a recuperação dos preços do minério
de ferro, que não ocorreu em novembro. Além disso, houve redução nas vendas de
carne, principalmente para a Venezuela e a Arábia Saudita", ressaltou
Dantas.
Em novembro, os
preços do minério de ferro, que responde pela maior parte da pauta de
exportações do país, subiram levemente, mas acumulam queda de 21,1% no ano. No
caso do petróleo, os preços caíram 20% no mês passado, anulando a alta de 9,1%
no volume exportado. Dantas ressaltou que a produção e as vendas externas de
petróleo subiram, mas a queda do preço das commodities também afetou a conta
petróleo.
Em relação aos
produtos manufaturados, a crise econômica na Argentina foi o principal fator que
derrubou as exportações brasileiras de bens industrializados. De janeiro a
novembro deste ano, as vendas de manufaturados caíram 12,4% em relação ao mesmo
período de 2013 pela média diária. Em receitas, a perda chega a US$ 10,7
bilhões, dos quais US$ 4,9 bilhões correspondem à queda nas exportações para o
país vizinho e US$ 4,3 bilhões estão relacionados a exportações de plataformas
de petróleo, que ocorreram com maior intensidade em 2013.
"O impacto das
plataformas de petróleo estava incorporado às nossas previsões [porque os
embarques estavam programados]. O que realmente interferiu na balança foi na
demanda internacional", explicou Dantas. Segundo ele, a estagnação do comércio
global em 2014 impediu que as exportações brasileiras reagissem, mesmo com a
desvalorização do real.
"O efeito câmbio
sempre demora a se manifestar nas exportações, ainda mais em uma economia
mundial em que falta demanda para gerar fornecimento. Mesmo com o câmbio
favorável, isso não tem repercussão mais forte nos resultados", disse.
De janeiro a
novembro, as exportações acumulam queda de 5,7% pela média diária em relação aos
mesmos meses do ano passado. O dólar alto resultou em queda nas importações, mas
não na mesma intensidade. No mesmo período, as compras do exterior caíram 3,9%
pela média diária. "Lógico que o dólar mais forte afeta a demanda de alguma
forma", destacou Dantas.
Segundo ele, as
importações de produtos vinculados ao fim de ano caíram 11% em novembro em
relação ao mesmo mês de 2013. As maiores quedas foram registradas nos queijos
(54%), nos itens de perfumaria (32%) e nos brinquedos (28%). A importação de
equipamentos de informática caíram 8% na mesma comparação.
Fonte: Agência Brasil
01/12/2014
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