O recém-empossado presidente dos EUA, Donald Trump, assinou recentemente o decreto de retirada de seu país do TPP (Parceria Transpacífico), acordo que foi estabelecido no mandato de Barack Obama. O TPP era uma das peças centrais do governo Obama e integraria comercialmente os principais países banhados pelo oceano Pacífico. A saída do país pode mudar os rumos do acordo, o que pode trazer benefícios ao Brasil – justamente pelo fato de o País não ser integrante do bloco.
O TPP era um tratado comercial que diminuía as barreiras tarifárias entre os países banhados pelo Pacífico. O grupo era composto por 12 países (Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Peru, Chile, Cingapura, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia, Vietnã) até a saída dos EUA. Este bloco representa um PIB de US$ 28 trilhões, equivalente a 40% do total mundial; um mercado consumidor de 800 milhões de pessoas e correspondia a um terço do comércio no mundo. O objetivo era integrar os países situados ao longo do Pacífico e ao mesmo tempo servir como um contrapeso à crescente influência chinesa na região.
Na visão do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a parceria sem os Estados Unidos não faz sentido. A declaração do primeiro-ministro reflete a importância e influência exercida pelos EUA, com seus 325 milhões de consumidores e PIB de US$ 18 trilhões. A fala também demonstra a possibilidade de o acordo se dissolver, o que levaria os antigos países membros a procurarem acordos bilaterais. Esses acordos beneficiariam os Estados Unidos, que teriam um poder de persuasão maior negociando individualmente com cada país. Outra consequência seria a continuidade da predominância econômica chinesa na região - a China ainda conduz um tratado próprio de livre-comércio, o RCEP (Regional Comprehensive Economic Partnership), visto como uma alternativa ao TPP.
O Brasil pode se beneficiar desse possível desdobramento. A receita com as vendas externas dos 150 itens agropecuários do Brasil para os 12 países signatários do TPP somou US$ 13,1 bilhões anuais, em média, entre 2012 e 2014, de acordo com estudo da CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil). Esse volume equivale a 4% das importações dos mesmos produtos pelos países do bloco no período. Para o Brasil, no entanto, esses embarques são mais relevantes: eles representaram 16% de tudo que o País exportou em produtos agropecuários para o mundo entre 2012 e 2014.
Com o TPP, os produtos brasileiros perderiam competitividade, pois continuariam a sofrer pesada tarifação para entrarem nos países do tratado. Como consequência, os países membros passariam a comprar de países de dentro do próprio bloco, impactando as exportações brasileiras. O estudo da CNA mostra quão pesada é a tarifação, variando de 2,5% no caso do etanol a 350% no fumo. O fracasso do TPP abriria portas para o Brasil aumentar sua participação no mercado internacional e manter seu status de grande exportador agrícola, buscando novas parcerias comerciais.
Esse cenário deixa claro ao Brasil a importância de não se manter isolado comercialmente. A possível desfragmentação do TPP somada à política protecionista adotada pelo presidente americano Donald Trump devem servir de incentivo ao Brasil para começar a busca por novos parceiros e acordos comerciais, expandindo o seu alcance de mercado.
* Post em parceria com Luca de Martino, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas e consultor pela Consultoria Júnior de Economia (www.cjefgv.com)
(Fonte: G1, Samy Dana)
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