quarta-feira, 10 de outubro de 2012
QUEDA DA DEMANDA NA EUROPA FAZ ESTRAGO NAS EXPORTAÇÕES NACIONAIS
A crise econômica da Europa tem feito seu estrago na economia do setor de papel e celulose brasileiro. A receita do segmento de papel está 11% menor e 9% mais baixa para as produtoras da pasta no acumulado de janeiro a setembro deste ano. A informação é da presidente executiva da associação que representa as fabricantes nacionais desses produtos, a Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes, que classificou a retração dos mercados internacionais de mais abrangente do que a crise de 2008. Isso porque a Europa é o principal destino das exportações brasileiras da commodity e tem apresentado retração de demanda, assim como a China não está com o PIB tão acelerado quanto se imaginava.
Nem mesmo a recomposição do valor do dólar ante o real foi suficiente para mitigar os efeitos da retração do mercado em preços e embarques do produto. Em combinação a este cenário de depressão no países compradores, ela apontou o aumento do custo da mão de obra como um fato decisivo para o pessimismo que cerca o setor.
A executiva defendeu na abertura do 45º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, realizado pela ABTCP, a inclusão do programa Reintegra para a celulose e a desoneração da folha de pagamento como forma de ajudar as empresas nacionais. Apesar do cenário de baixa, os investimentos do setor, que deverão movimentar cerca de US$ 25 bilhões nos próximos anos, deve se manter, porque são aportes que visam o médio e o longo prazo.
Essa mesma bandeira foi levantada pelo presidente da ABTCP, Lairton Leonardi, que disse durante a abertura do evento que a busca de competitividade passa pela ajuda do governo ao setor e pela busca de melhores práticas para a redução de custos e mais tecnologia para a fabricação de produtos de maior valor agregado.
Carvalhaes, por sua vez, destacou que as empresas vem procurando diversificar seu portfólio de produtos com mais ênfase no desenvolvimento em produtos originados de florestas. Destacou os projetos de pellets de madeira da Suzano, cujo destino é a produção de energia e a entrada da Fibria na norte-americana Ensyn, que produz biocombustíveis.
Apesar disso, ela refutou a ideia de que essa diversificação é uma forma de destacar a produção brasileira do alto volume de produção de papel que a China colocará no mercado até 2025. Segundo um estudo da consultoria finlandesa Pöyry, cerca de 90% da oferta de papel no mundo virá daquele país, o que agrega maior escala e, consequentemente, menor custo de produção. "A demanda chinesa sempre vai existir e vamos continuar atendendo aquela região com a celulose mais competitiva do mundo", disse.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria
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