segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Brasil tem participação modesta em redes de valor agregado, mostra OMC


O Brasil tem participação modesta nas cadeias globais de valor, o que significa menos exportações com valor agregado, mostra o Relatório Mundial de Comércio 2014, publicado nesta segunda-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O relatório mostra, com base em dados de 1995-2008, que o Brasil fica na lanterna com Argentina e África do Sul entre as maiores economias na integração das redes globais de valor, que conduzem a aumento da produtividade graças à transferência de tecnologia e de conhecimento. Os países mais integrados nessas cadeias eram Taiwan, Cingapura e Filipinas. Segundo analistas, a situação nos emergentes não mudou significativamente desde então, pelo menos no caso de vários desses países. A OMC procura medir a participação na rede global de valor com o tamanho das exportações de bens intermediários. A entidade global constata que a fragmentação da produção mundial se acelerou e envolve mais e mais países em desenvolvimento. Mais da metade das exportações totais de países em desenvolvimento, em valor agregado, são agora efetuados no âmbito de redes globais de valor. A parte do comércio entre países em desenvolvimento baseado nessas redes quadriplicou em 25 anos. Para a OMC, os países que participam das redes globais de valor registram também taxas de crescimento mais elevadas. No entanto, a integração nessas redes traz também riscos. Pode facilitar a industrialização, mas a vantagem competitiva pode tornar-se mais efêmera, aumentando a vulnerabilidade ao deslocamento das empresas. Os países com ambiente mais favorável aos negócios e tarifas menos elevadas participam mais nas redes de valor. Políticas comerciais também tem papel na facilitação da participação nessas redes. Obstáculos incluem infraest rutura e barreiras alfandegárias, reitera a OMC. Em 2013, um amplo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) publicado já tinha apontado perda de oportunidades para o Brasil ampliar exportações. Primeiro, o superávit comercial do país com a China seria 45% menor (de US$ 12,1 bilhões para US$ 4,9 bilhões) comparado com o fluxo bruto, pois o país vende basicamente commodities usadas por exportadores chineses. Já com os EUA, o superávit seria maior do que mostram as estatísticas convencionais em 2009 (US$ 6,6 bilhões em termos de valor agregado, ante US$ 5,6 bilhões no fluxo total), e maior o destino final do consumo. Ou seja, os EUA, e não a China, seriam na prática o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo, o conteúdo estrangeiro nas exportações brasileiras e a fatia de bens intermediários usados na exportação são menores no Brasil do que em todos os países desenvolvidos e em boa parte do resto do mundo.
Valor Econômico
17/10/2014

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