quarta-feira, 6 de agosto de 2014

China ocupa espaço do Brasil na Argentina

O mau desempenho das exportações brasileiras aos argentinos tem sido creditado à situação econômica do país vizinho, mas estatísticas oficiais do governo argentino indicam que a queda também pode ser resultado de perda de participação de mercado. Os dados mostram que as importações argentinas originadas do Mercosul caíram 18% no primeiro semestre de 2014, na comparação com igual período de 2013. As importações vindas da China cresceram 2% e as provenientes do Nafta, bloco formado por Estados Unidos, Canadá e México, tiveram alta de 9%. Isoladamente a China já tem fatia bem próxima à dos três países do Nafta juntos - cerca de 16% - nos desembarques totais argentinos. A importação total da Argentina em igual período caiu 8%. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, a exportação brasileira para os argentinos caiu 20,4% na mesma comparação (...). A importação argentina desse tipo de bem com origem no Nafta alcançou 20,9% do total de US$ 5,91 bilhões em máquinas e equipamentos importados pela Argentina no primeiro semestre de 2014. No ano passado, a fatia dos bens de capital provenientes do Nafta era mais modesta, de 13,4%. No mesmo período, as máquinas e equipamentos feitas na China avançaram de 24,3% para 25,4%. Não foi um ganho tão grande, mas na mesma comparação o Mercosul perdeu participação, com queda de 25,7% para 19%. Para José Augusto de Castro, presidente da AEB, o controle das importações e da liberação de dólares favorece a compra de fornecedores com maior capacidade de financiamento próprio. Esse é o caso principalmente dos exportadores chineses. "Essa facilidade faz com que o fornecedor da China ofereça maior flexibilidade para prazos de pagamento em troca da oportunidade de ganhar mercado", diz Castro. Os chineses conseguiram elevar em 10% a venda de produtos intermediários aos argentinos de janeiro a junho, contra iguais meses do ano passado, mesmo com a queda de 3% na importação desse tipo de produto pela Argentina, no mesmo período. A importação de intermediários com origem no Mercosul caiu 7% (...). O valor anual de embarques de produtos chineses praticamente duplicou nos seis últimos anos. Ao mesmo tempo, as exportações argentinas para o país asiático, sustentadas pela soja, ficaram estagnadas. Isso fez com que a balança comercial entre os dois países revertesse em favor dos chineses nos seis últimos anos. "É natural que as restrições às importações tenham prejudicado mais o Brasil, que é um grande fornecedor, com produção integrada em alguns setores", diz Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento (Cedes/Uerj). Para ele, a maior entrada de bens chineses também pode ser creditada aos investimentos dos países asiáticos na Argentina, muitas vezes atrelados a compras de bens de capital e insumos da China. "De qualquer forma, a perda de participação será de difícil recuperação."
Valor Econômico
06/08/2014

3 comentários:

  1. William C. Gac - 1º Comex - TARDE

    Bom, não é novidade que a China vem sido uma GRANDE investidora na Economia Mundial, além é claro de também ser uma bomba-relógio prestes a explodir e superar o 1º lugar (EUA) na Economia. Lendo as notícias postadas aqui na Bock News, fui pesquisar mais a fundo as informações aqui relatadas e adquiri um conhecimento bem mais amplo a respeito do assunto. E é por isso que eu digo que se a Economia Mundial fosse um tabuleiro de Xadrez, a China seria uma Rainha dando Cheque no Rei (EUA).

    Já o Brasil, está passando de Torre, para um simples peão. A soja é como se fosse as grandes jogadas estratégicas que a Argentina, pelo visto, ainda não descobriu... Contudo, se pararmos para observar o quadro da situação, é dando lucro e flexibilidade para os Asiáticos, que os "Los Hermanos" estão propensos a alcançar melhor colocação no ranking.

    E voltando a falar do Brasil, bem como Rodrigo Branco disse na entrevista, o Brasil vem enfrentando dificuldades por conta das restrições cedidas pela burocracia de grande parte das importações (e arrisco a dizer das grandes importadoras também).

    E como primeiro comentário, gostaria de agradecer à Profª Dra. Claudia por nos interessar a buscar cada vez mais conhecimento, seja com uma simples notícia ou com uma boa aula. :D

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  2. Temos tudo para obter o maior espaço em qualquer lugar do mundo exportando nosso produtos e como não é de se surpreender que perdemos o nosso espaço para a China na Argentina, acredito que o Brasil vem enfrentando grandes problemas por causa das regras que houveram exceções pela burocracia de boa parte das importações. Para José Augusto de Castro, o controle das importações e da liberação de dólares favorece a compra de fornecedores com maior capacidade de financiamento próprio, com certeza a capacidade de financiamento próprio fica mais fácil com liberação de dólares e um maior controle das importações, isso é fato, só sobrevive neste ramo os países mais preparados, afinal competitividade gera lucros e a China vem nos mostrando isso cada vez mais.

    Rodrigo Pinheiro Camilo Fatez ZL 1º Comex - TARDE

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  3. Já era de se esperar. Com a crise argentina a China foi aos poucos ganhando espaço. Começou prejudicando o Brasil no setor de calçados no 1º semestre deste anos as vendas do Brasil para Argentina caíram 39%, enquanto na China cresceram 11,4%

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