O
mau desempenho das exportações brasileiras aos argentinos tem sido
creditado à situação econômica do país vizinho, mas estatísticas
oficiais do governo argentino indicam que a queda também pode ser
resultado de perda de participação de mercado. Os dados mostram que as
importações argentinas originadas do Mercosul caíram 18% no primeiro
semestre de 2014, na comparação com igual período de 2013. As
importações vindas da China cresceram 2% e as provenientes do Nafta,
bloco formado por Estados Unidos, Canadá e México, tiveram alta de 9%.
Isoladamente a China já tem fatia bem próxima à dos três países do Nafta
juntos - cerca de 16% - nos desembarques totais argentinos. A
importação total da Argentina em igual período caiu 8%. Segundo dados do
Ministério do Desenvolvimento, a exportação brasileira para os
argentinos caiu 20,4% na mesma comparação (...). A importação argentina
desse tipo de bem com origem no Nafta alcançou 20,9% do total de US$
5,91 bilhões em máquinas e equipamentos importados pela Argentina no
primeiro semestre de 2014. No ano passado, a fatia dos bens de capital
provenientes do Nafta era mais modesta, de 13,4%. No mesmo período, as
máquinas e equipamentos feitas na China avançaram de 24,3% para 25,4%.
Não foi um ganho tão grande, mas na mesma comparação o Mercosul perdeu
participação, com queda de 25,7% para 19%. Para José Augusto de Castro, presidente da AEB,
o controle das importações e da liberação de dólares favorece a
compra de fornecedores com maior capacidade de financiamento próprio.
Esse é o caso principalmente dos exportadores chineses. "Essa facilidade
faz com que o fornecedor da China ofereça maior flexibilidade para
prazos de pagamento em troca da oportunidade de ganhar mercado", diz
Castro. Os chineses conseguiram elevar em 10% a venda de produtos
intermediários aos argentinos de janeiro a junho, contra iguais meses do
ano passado, mesmo com a queda de 3% na importação desse tipo de
produto pela Argentina, no mesmo período. A importação de intermediários
com origem no Mercosul caiu 7% (...). O valor anual de embarques de
produtos chineses praticamente duplicou nos seis últimos anos. Ao mesmo
tempo, as exportações argentinas para o país asiático, sustentadas pela
soja, ficaram estagnadas. Isso fez com que a balança comercial entre os
dois países revertesse em
favor dos chineses nos seis últimos anos. "É natural que as restrições
às importações tenham prejudicado mais o Brasil, que é um grande
fornecedor, com produção integrada em alguns setores", diz Rodrigo
Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de
Desenvolvimento (Cedes/Uerj). Para ele, a maior entrada de bens chineses
também pode ser creditada aos investimentos dos países asiáticos na
Argentina, muitas vezes atrelados a compras de bens de capital e insumos
da China. "De qualquer forma, a perda de participação será de difícil
recuperação."
Valor Econômico
06/08/2014
William C. Gac - 1º Comex - TARDE
ResponderExcluirBom, não é novidade que a China vem sido uma GRANDE investidora na Economia Mundial, além é claro de também ser uma bomba-relógio prestes a explodir e superar o 1º lugar (EUA) na Economia. Lendo as notícias postadas aqui na Bock News, fui pesquisar mais a fundo as informações aqui relatadas e adquiri um conhecimento bem mais amplo a respeito do assunto. E é por isso que eu digo que se a Economia Mundial fosse um tabuleiro de Xadrez, a China seria uma Rainha dando Cheque no Rei (EUA).
Já o Brasil, está passando de Torre, para um simples peão. A soja é como se fosse as grandes jogadas estratégicas que a Argentina, pelo visto, ainda não descobriu... Contudo, se pararmos para observar o quadro da situação, é dando lucro e flexibilidade para os Asiáticos, que os "Los Hermanos" estão propensos a alcançar melhor colocação no ranking.
E voltando a falar do Brasil, bem como Rodrigo Branco disse na entrevista, o Brasil vem enfrentando dificuldades por conta das restrições cedidas pela burocracia de grande parte das importações (e arrisco a dizer das grandes importadoras também).
E como primeiro comentário, gostaria de agradecer à Profª Dra. Claudia por nos interessar a buscar cada vez mais conhecimento, seja com uma simples notícia ou com uma boa aula. :D
Temos tudo para obter o maior espaço em qualquer lugar do mundo exportando nosso produtos e como não é de se surpreender que perdemos o nosso espaço para a China na Argentina, acredito que o Brasil vem enfrentando grandes problemas por causa das regras que houveram exceções pela burocracia de boa parte das importações. Para José Augusto de Castro, o controle das importações e da liberação de dólares favorece a compra de fornecedores com maior capacidade de financiamento próprio, com certeza a capacidade de financiamento próprio fica mais fácil com liberação de dólares e um maior controle das importações, isso é fato, só sobrevive neste ramo os países mais preparados, afinal competitividade gera lucros e a China vem nos mostrando isso cada vez mais.
ResponderExcluirRodrigo Pinheiro Camilo Fatez ZL 1º Comex - TARDE
Já era de se esperar. Com a crise argentina a China foi aos poucos ganhando espaço. Começou prejudicando o Brasil no setor de calçados no 1º semestre deste anos as vendas do Brasil para Argentina caíram 39%, enquanto na China cresceram 11,4%
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